Livro comemorativo dos 40 anos de fundação do Pasquim, com uma seleção de capas publicadas e conteúdo inédito, preparado por integrantes da época áurea do jornal. Apresentação de Chico Caruso e textos de Millôr Fernandes, Jaguar e Sérgio Augusto.

Não foi só a linguagem que a patota do PASQUIM mudou. As capas também.
O nosso negócio era ser do contra. Contra a ditadura, contra as capas (não confundir com contracapas) e a linguagem solene dos jornalões no final dos anos 1960.

O PASQUIM trazia as suas chamadas pomposas peladas de Paulinho Garcez & cia. e tirava sarro com os bundões em geral, fardados ou não.

Por exemplo, a capa do primeiro número (dedicado à memória de Sérgio Porto) com a foto fora de foco do Ibrahim – Millôr comenta – foi feita quase na hora de rodar a edição na gráfica, de saudosa memória, do Correio da Manhã. Havia um requintado projeto gráfico do Carlos Prósperi, fino artista gráfico (do layout
sobrou o tipo de letra do título). Mas na hora H tacamos a foto do turco e no resto do espaço enchi com o Sig anunciando os nomes dos colaboradores: Millôr, Serjão Cabral, Fortuna, Ziraldo, Marta Alencar, Sérgio Noronha, Maciel, eu e Don Martin (chu pado da Mad). E mais: um cartum meu (primeiro e único na história do jornaleco), um artigo de Chico Buarque (Porque Sou Tricolor) e a matéria da nossa correspondente no Festival de Cannes, a estonteante Odete Lara. Foi quando Sig se tomou de paixão por ela, sem nunca terem chegado, que eu saiba, à conjunção carnal.
E assim se passaram quarenta anos.



JAGUAR


E nesses quarenta anos não surgiu outro PASQUIM. Por quê?

Porque o Brasil e o mundo mudaram; aliás, até o universo mudou (Plutão ainda era um planeta em 1969, lembra?); a ditadura militar caiu; a censura acabou; a grande imprensa absorveu parte dos encantos, da linguagem solta (inclusive os palavrões) e dos profissionais (por assim dizer) do PASQUIM. Noves fora as baixas irreparáveis na equipe (Francis, Henfi l, Tarso, Fortuna, Flávio Rangel) e, em maior número ainda, no elenco de entrevistados com muitas histórias para contar.

Mas seus efeitos, suas conseqüências, sua progênie, estão por aí. E isso exige uma celebração. Por que privilegiar as capas do jornal? Ora, ora, porque eram a cara do PASQUIM, em pelo menos dois sentidos da palavra. E também porque ocupam relativamente pouco espaço, desde que selecionadas, é claro, pois o PASQUIM chegou 1.072 vezes às bancas em seus 22 anos de (r)existência.
Não me obriguem, por favor, a escolher a minha favorita entre as tantas que Jaguar, Henfil, Millôr, Fortuna e Redi, sobretudo estes, bolaram e desenharam.

A brindar alguém, brindarei ao Ziraldo, talvez aquele que mais capas criou para o jornal, em sua fase áurea.

SÉRGIO AUGUSTO







 
 
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Agência FROG