O Pasquim – Antologia (1973 - 1974) – Vol. III

Se autor de orelha fosse uma espécie de porteiro (afinal, ele é a primeira coisa que a pessoa encontra ao entrar no livro) eu perguntaria a quem entrasse: – Saudade ou descoberta? Querendo dizer: você estava vivo e consciente nos anos setenta, lia O PASQUIM e veio ver se sua memória não o engana e aquela turma era boa mesmo, ou você nasceu há pouco e quer conferir se tudo o que dizem os mais velhos a respeito é verdade?

A pergunta seria só por curiosidade, claro. Os leitores não seriam separados, como “fumantes” e “não-fumantes”. Entrariam no mesmo livro e teriam o mesmo prazer. Ou o prazer da nostalgia saciada é diferente do prazer do primeiro encontro? Não sei.

De qualquer modo, o extraordinário é como o material destas antologias não envelheceu. Nem frustra a saudade nem decepciona a descoberta. O humor continua afiado, a crítica continua forte, o quociente de inteligência continua alto. E – talvez a maior surpresa tanto para os saudosos como para os recém-chegados – tudo continua atual.



O que mudou nesta antologia em relação às duas primeiras não foi o conteúdo do PASQUIM, mas as circunstâncias do país: a dita continuava dura mas caminhava, lenta e gradualmente, para a “abertura” que viria em 1974. Não que isso fosse significar um PASQUIM mais solto e irreverente. Irreverente ele foi de nascença e por toda a vida, e solto só não foi quando a dita prendeu a turma – e mesmo assim houve um mutirão de solidariedade e ele não deixou de sair. Mas entrem, entrem. Matem a saudade, descubram como a turma era boa mesmo, e divirtam-se.


Luis Fernando Veríssimo


 



 
 
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Agência FROG